Uma mulher de 26 anos descobriu que era filmada nua no banheiro da imobiliária onde trabalhava, em Santa Juliana, no Triângulo Mineiro. Segundo a vítima, as imagens foram feitas pelo ex-patrão, Hélio Borges Júnior, de 53 anos.
A mulher descobriu os vídeos quando o ex-patrão pediu que ela usasse o celular dele para pagar uma marmita. Ao esbarrar em uma tecla sem querer e ver as abas abertas no aparelho, ela afirmou ter encontrado uma pasta com fotos e vídeos em que aparecia nua.
Em depoimento, o empresário admitiu que havia escondido um celular no banheiro para fazer gravações. A mulher contou que já havia trabalhado na imobiliária em 2024, durante cerca de um ano. Ao g1, ela afirmou que, naquele período, não percebeu nenhum comportamento inadequado por parte do patrão.
Cerca de dois meses depois, porém, o empresário a convidou para voltar à imobiliária. Como já conhecia o trabalho, ela aceitou. Foi durante esse segundo período na empresa, segundo a mulher, que o comportamento do empresário começou a mudar.
Aproximação do ex-patrão
Segundo a ex-funcionária, o homem passou a tentar estabelecer uma relação de amizade com ela. A mulher, porém, disse que não correspondia à aproximação porque queria manter a relação estritamente profissional.
A mulher disse que o empresário também passou a pedir que ela o acompanhasse em atividades de trabalho que antes fazia sozinho.
“Todo trabalho que ele poderia fazer sozinho, ele passou a querer que eu fosse. Por exemplo, para fazer a avaliação de um imóvel. Ele me fazia ir no carro junto com ele para fazer vistoria e na volta eu ainda tinha que acompanhá-lo no supermercado, por exemplo. Em outras vezes ele passou a me usar de psicóloga, mas eu insistia em me manter estritamente profissional”, disse.
Incomodada com a aproximação de Hélio, a vítima chegou a pensar em procurar outro emprego. No entanto, afirmou que continuou trabalhando na imobiliária porque era responsável pelo sustento da casa e precisava manter a renda.
Nesse período, a sobrinha dela, de 16 anos, também trabalhou temporariamente na imobiliária para ajudá-la com o grande volume de demandas.
Depois que a sobrinha deixou o trabalho, a mulher voltou a trabalhar na empresa apenas com o ex-patrão e um funcionário que auxiliava nas negociações de imóveis. Segundo ela, embora não houvesse necessidade, o funcionário passou a permanecer diariamente na imobiliária.
A ex-funcionária também contou que houve uma mudança no espaço físico onde trabalhava. O escritório que ela ocupava inicialmente foi transformado em outro ambiente. Com a mudança, passou a trabalhar em uma mesa de costas para o ex-patrão e para o funcionário, que permaneciam sentados em um sofá.
“Era muito desconfortável. Eles ficavam ali sentados durante todo o expediente dando gargalhadas e mexendo no celular”, relembrou a vítima. Foi nesse período que ela começou a perceber comportamentos que considerava estranhos.
“Eu comecei a notar que quando eu entrava na sala eles tomavam um susto, como se estivessem vendo algo impróprio no celular, porém eu ainda não havia desconfiado de nada”, disse.
Segundo ela, o ex-patrão tinha dois celulares: um usado para o trabalho e outro para uso pessoal. Quando precisava utilizá-lo, segundo ela, o empresário permanecia ao lado, acompanhando cada ação. A desconfiança aumentou quando percebeu que ele acessava seu perfil no TikTok.
Segundo ela, as imagens foram feitas enquanto ela utilizava o banheiro da imobiliária. “Eu não trocava de roupa. Eu apenas ia ao banheiro fazer minhas necessidades e era quando ele se aproveitava para fazer as imagens”, relatou.
Ao perceber o que havia acontecido, a mulher fotografou a tela do celular do ex-patrão com o próprio telefone. “Eu peguei meu celular, tirei uma foto do celular dele, saí e comecei a chorar. Eu fiquei com medo de confrontar ele”, afirmou.
Desesperada, a mulher saiu da imobiliária e se aproximou de uma obra na região. Segundo ela, um pedreiro percebeu que estava chorando e a orientou a chamar a polícia.
Enquanto aguardava do lado de fora da imobiliária, ela enviou uma mensagem ao ex-namorado, que a orientou a ir até o quartel da Polícia Militar (PM). No entanto, antes de procurar a PM, a mulher voltou à imobiliária para pegar as chaves e decidiu confrontar o ex-patrão.
Segundo ela, durante a discussão, o homem deu um tapa no rosto dela. A ex- funcionária reagiu, e os dois lutaram. Durante a confusão, o ex-namorado chegou ao local e separou a briga.
Conforme o boletim de ocorrência, os envolvidos foram encaminhados para atendimento médico e, posteriormente, levados à Delegacia de Polícia Civil. A mulher contou que conseguiu pegar os celulares do ex-patrão e entregá-los à polícia.
Ainda conforme o registro policial, durante o depoimento, o empresário admitiu que havia escondido um celular no banheiro para fazer gravações. Ele afirmou, porém, que não divulgou as imagens e negou ter praticado outros atos contra a ex-funcionária.
G1
