O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou ter sido alvo de “monitoramento sistemático e ilegal” da Polícia Federal por mais de 30 dias. De acordo com decisão proferida nesta terça-feira (8/9), documentos de inteligência chegaram a registrar autorização para “monitoramento e coleta dirigida” sobre o magistrado e o advogado-geral da União, Jorge Messias.
A situação foi apontada por Mendonça como de “superlativa gravidade” e embasou a decisão de afastar preventivamente o diretor-geral da PF, Andrei Augusto Passos Rodrigues, e o diretor de Inteligência Policial da corporação, Leandro Almada da Costa.
Além dos afastamentos, o ministro determinou que a Corregedoria da Polícia Federal instaure procedimentos investigatórios de natureza penal e administrativo-disciplinar para apurar os fatos.
Um dos pontos centrais da decisão está no conteúdo dos próprios relatórios analisados pelo ministro. No documento, Mendonça reproduz um trecho no qual a inteligência policial reconhece que a confiança agregada em determinada cadeia de inferências era “baixa” e que, por isso, as conclusões deveriam ser tratadas dessa forma.
O documento também indicava, segundo a decisão, que aquele tópico não poderia sustentar “afirmação institucional, providência formal ou manifestação externa”.
Afastamento da cúpula da PF
Diante do que encontrou nos documentos, Mendonça determinou o afastamento preventivo de Andrei Rodrigues dos cargos de delegado e diretor-geral da Polícia Federal.
Leandro Almada também foi afastado preventivamente das funções de delegado e diretor de Inteligência Policial da PF.
Metrópoles
