A família da bebê Anna Laura Insarralde de Araujo, de 8 meses, procurou a polícia para denunciar uma suspeita de negligência médica após a morte da criança, em Campo Grande. Segundo o boletim de ocorrência, a bebê passou por três unidades de saúde antes de morrer: a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Universitário, o Hospital do Câncer e o Hospital Regional.
De acordo com o relato da mãe, Ana Maria Morel Insarralde, a criança apresentou febre e vômitos e foi atendida inicialmente na UPA Universitário. Depois, foi transferida para o Hospital do Câncer, onde recebeu medicação e teve uma piora no quadro clínico. Em seguida, foi encaminhada ao Hospital Regional, onde foi intubada e levada à Unidade de Terapia Intensiva (UTI), mas não resistiu.
Família questiona diagnóstico e relata falhas no atendimento
Segundo a mãe, Anna Laura foi levada à UPA Universitário em 7 de outubro, quando recebeu prescrição de medicamentos. Na ocasião, um exame de raio-X apontou uma mancha no pulmão, mas a criança foi liberada.
No dia 10 de outubro, a família voltou à unidade. A bebê apresentava febre alta, vômitos e diarreia, sem melhora após o uso dos medicamentos. Após a administração de novas medicações e a realização de exames laboratoriais, a criança foi transferida para o Hospital do Câncer.
Ainda conforme o relato da mãe, durante a transferência, a médica responsável informou que os exames da bebê haviam sido extraviados. Ana Maria, porém, afirmou que os exames tinham sido realizados e que a família teve acesso aos resultados após a morte da criança.
Ao chegar ao Hospital do Câncer, a bebê estava sonolenta e recebia oxigênio, segundo a mãe. Ela relatou que, após a administração de um medicamento, a boca da criança ficou amarelada, com pontos escuros. A mãe procurou uma enfermeira, que acionou um médico. De acordo com o relato, o profissional suspendeu a medicação e informou que a bebê precisava ser transferida para um hospital com UTI, pois o quadro era grave e a unidade não dispunha da estrutura necessária para atendê-la.
Mãe relata problemas com o oxigênio no Hospital Regional
A bebê foi encaminhada ao Hospital Regional e chegou à unidade por volta das 18h30. Segundo a mãe, a criança foi levada à sala vermelha, onde foi intubada, mas não apresentou melhora. Depois, o médico informou que ela seria encaminhada ao centro cirúrgico para a colocação de um acesso e a realização de uma drenagem.
Ainda conforme o relato, durante o deslocamento para o centro cirúrgico, a equipe retirou o equipamento de oxigênio para conectá-lo a outra máquina, mas não conseguiu colocá-la em funcionamento naquele momento. A criança permaneceu intubada e, segundo a mãe, ficou temporariamente sem o fornecimento de oxigênio.
A equipe teria recorrido à ventilação manual e, posteriormente, conseguido conectar o equipamento. No trajeto, porém, a máquina parou de funcionar novamente. Segundo a mãe, os profissionais comentaram entre si que o aparelho operava em modo de “gambiarra”, e a ventilação manual foi retomada. Depois, o fornecimento de oxigênio pelo equipamento foi restabelecido.
Após o procedimento cirúrgico, Anna Laura retornou à UTI. De acordo com a mãe, o médico informou que o quadro era grave, que a pneumonia havia evoluído e que a criança apresentava sangramento no pulmão, desidratação e anemia.
Foram administrados sangue e adrenalina, mas a bebê não respondeu ao tratamento. O batimento cardíaco e a saturação de oxigênio diminuíram. A equipe tentou reanimá-la, mas não teve sucesso, e a criança morreu.
G1
