CNJ APONTA INDICIOS DE PAGAMENTO EM GADO A DESEMBARGADOR SUSPEITO DE VENDER SENTENÇA E SOLTAR CHEFE DO PCC, A PENA DO DESEMBARGADOR É GANHAR A APOSENTADORIA.

O relatório do Processo Disciplinar Administrativo (PAD) que analisou a conduta do desembargador aposentado compulsoriamente Divoncir Schreiner Maran ao soltar Gerson Palermo aponta para suspeita de que o magistrado atuou vendendo a sentença.

O g1 teve acesso ao documento que analisa informações da polícia judiciária e do Coaf sobre movimentações financeiras de Maran. Conforme o relatório, a suposta venda da decisão judicial que soltou o chefe do Primeiro Comando da Capital (PCC) ocorreu a partir negociações envolvendo gado, conduzidas pelo filho mais velho do magistrado.

A Justiça chegou a essa conclusão após analisar movimentações financeiras incompatíveis com a renda declarada pelo filho do desembargador, que é advogado. Os documentos revelam que ele recebia menos de R$ 8 mil mensais, mas chegou a movimentar R$ 500 mil por ano, “associado com operações com gado”.

Para a Justiça, o pagamento por meio de transferência de gado é “prática comum de lavagem de dinheiro, especialmente em Mato Grosso do Sul”.

Assim, o CNJ entendeu que, para não se comprometer com ‘dinheiro ilícito’, Divoncir “utilizaria seu filho como operador de maneira a vender esse gado e ‘limpar’ o dinheiro para a família Maran”, conforme cita o documento. O g1 não encontrou a defesa de Divoncir Maran.

“O contexto investigativo explanado não deixa dúvidas de que existem elementos concretos e provenientes de variadas fontes de que o Desembargador Divoncir utiliza o cargo para o cometimento dos crimes apurados”, destacou o documento que o g1 teve acesso.

Punição ao desembargador

O Conselho Nacional de Justiça puniu o desembargador Divoncir Schreiner Maran com aposentadoria compulsória após concluir que a decisão que concedeu prisão domiciliar a Palermo extrapolou os limites da atuação judicial.

G1

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