Na guerra da Ucrânia, combatentes russos arriscam sofrer tortura, humilhação e assassinatos por parte de seus próprios superiores. Segundo especialistas, a prática é generalizada e normalizada nas fileiras.
“Anularam o meu filho”, lamenta Tatiana Bykova em uma mensagem de vídeo. Seu filho, Andrei, foi morto por seus próprios comandantes. Ela os nomeia e diz que os odeia. Primeiro, extorquiram dinheiro dele, exigindo metade da indenização que ele recebeu por um ferimento. Quando ele se recusou a dar o dinheiro e comprou um carro, eles passaram a exigir o veículo. Como ele se recusou a entregar o carro, foi morto.
Bykova apresentou uma queixa ao Comitê de Investigação da Federação Russa e à Procuradoria-Geral, mas nada aconteceu. Andrei Bykov foi simplesmente declarado desaparecido. “Como me disseram, ele foi espancado até a morte. Ele está em uma área arborizada perto de Galitsynivka”, disse Bykova, se referindo a um povoado na região de Donetsk, na Ucrânia, em entrevista ao portal de notícias independente russo Verstka, que funciona no exílio.
Como tortura e assassinato ocorrem?
“O assassinato dos próprios soldados é apenas um aspecto do estado deplorável do Exército russo. A tortura também é generalizada”, disse o especialista militar Yuri Fyodorov à DW. Vídeos de tortura podem ser encontrados em canais do Telegram dedicados à guerra. Por exemplo, o especialista relatou que soldados são jogados em um fosso e alimentados com lixo por uma ou duas semanas, dependendo do capricho do comandante. Ou são forçados a “abraçar uma árvore”. Eles são amarrados a troncos de árvores e deixados lá por um ou dois dias sem comida ou água.
Os motivos para uma “anulação” podem variar bastante: insubordinação, violações disciplinares, consumo de álcool, discussões com oficiais ou recusa em entregar parte do salário.
G1
