A vitória de Rodrigo Paz na eleição presidencial da Bolívia ajudou a direita a manter um equilíbrio com os governos de esquerda na América do Sul. Apesar de os líderes alinhados ao progressismo ainda terem vantagem, o cenário pode mudar em breve.
Em 2015, a América do Sul tinha oito governos alinhados à esquerda e quatro à direita. Três anos depois, o cenário se inverteu, com avanço dos conservadores. Essa tendência recuou a partir de 2020, após a pandemia. Desde 2022, sete países são governados por líderes de esquerda e cinco pela direita.
A Bolívia está encerrando um ciclo de quase 20 anos de governos de esquerda e passará a ser governada pela direita a partir de novembro. A mudança marca o fim da hegemonia do Movimento ao Socialismo (MAS), com os governos de Evo Morales e Luis Arce.
Especialistas apontam alguns fatores para essa virada. Confira a seguir:
Desgaste: Após quase duas décadas no poder, a esquerda perdeu apoio e acumulou críticas por tentativas de se manter no cargo.
Crise econômica: Inflação alta, escassez de dólares e queda nas receitas agravaram a perda de confiança da população nos governos de esquerda.
Ruptura entre Morales e Arce: A divisão interna enfraqueceu o MAS e dispersou votos.
Influência regional: A renovação da força da direita na América do Sul, com novos líderes liberais, pode ter influenciado o eleitorado boliviano.
Discurso liberal: O desencanto com a esquerda abriu espaço para propostas que prometem redução de impostos e diminuição do tamanho do Estado.
Maurício Santoro avalia que a Bolívia é um exemplo de como a escassez de recursos após o fim do “boom das commodities” se transformou em um problema. Segundo ele, Evo Morales começou com uma política econômica sólida, mas foi se tornando um presidente mais autoritário.

G1
