O Instituto Federal de Mato Grosso do Sul (IFMS) indeferiu a posse de Dalton César Milagres Rigueira no cargo de professor de Ensino Básico, Técnico e Tecnológico, no campus de Coxim (MS). A decisão foi divulgada nesta terça-feira (23), em nota de esclarecimento da instituição.
Segundo o IFMS, a decisão da Reitoria foi tomada com base em parecer da Procuradoria Jurídica da instituição. O documento afirma que o caso envolve “circunstância de extrema gravidade e reprovabilidade social” e que as condutas atribuídas a Dalton são incompatíveis com as atribuições do cargo.
Com a posse negada, o IFMS convocou o segundo colocado do Concurso Público nº 20/2025 para a área de Ciências Agrárias/Zootecnia. A nomeação foi feita por meio da Portaria nº 755/2026, publicada no Boletim de Serviço da instituição.
Nos últimos dias, sindicatos e movimentos sociais se manifestaram contra a possível posse de Dalton, aprovado em primeiro lugar no concurso do IFMS.
Relembre o caso
O Ministério Público Federal (MPF) denunciou Dalton César Milagres Rigueira, a esposa e as duas filhas pelo crime de trabalho escravo em Patos de Minas. A acusação é de que eles mantiveram Madalena Gordiano em condição análoga à escravidão por quase 40 anos.
Além do crime de trabalho escravo, os réus também respondem por violência doméstica e três deles por roubo.
O caso ganhou repercussão nacional após o resgate de Madalena, em novembro de 2020, ser mostrado pelo Fantástico. Ela trabalhava desde os 8 anos sem registro em carteira e sem acesso a direitos trabalhistas. Desde então, se tornou uma das principais vozes no combate ao trabalho escravo doméstico no país.
G1
