A morte de Bernardo de Lima Mendes, de 3 anos, após ser picado por um escorpião em março deste ano em Conchal (SP), voltou a repercutir após a Polícia Civil indiciar o médico Augusto Fortunato de Godoi por homicídio culposo – quando não há intenção de matar.
De acordo com o inquérito, o delegado Luís Henrique Lima Pereira, responsável pela investigação, identificou que os protocolos para o atendimento da criança não foram seguidos pelo médico. A defesa de Augusto informou que o profissional tem “plena certeza de sua inocência”
A polícia também pediu medida cautelar proibindo o médico de atuar como plantonista e em serviços de urgência e emergência, como hospitais e Unidades de Pronto-Atendimento (UPAs), até nova decisão judicial. A investigação e o pedido ainda serão analisados pelo Ministério Público e pela Justiça.
Em depoimento, o médico afirmou que não sabia de protocolos para picada de escorpião em crianças de até 10 anos.
Não transferiu imediatamente a criança para um hospital de referência
Descumprimento dos protocolos técnicos para acidentes com escorpião em crianças
Demora no início dos procedimentos de transferência
Condicionou a remoção à regulação via Cross
Não adotou medidas mais rápidas para obter o tratamento específico
Acompanhamento considerado insuficiente e tratamento apenas sintomático
O inquérito policial cita que o hospital de referência mais próximo de Conchal era a Santa Casa de Araras, mas que, na ausência do soro na instituição, Capivari, Itirapina, Leme, Limeira, Piracicaba, Pirassununga, Rio Claro e São Pedro possuem o soro antiescorpiônico.
“Entretanto, verifica-se que o médico responsável pelo atendimento da vítima, Dr. Augusto, contrariando as normativas técnicas amplamente reconhecidas na literatura médica, nos protocolos inclusive do hospital em que trabalha e nos protocolos do Ministério da Saúde, optou por manter a criança em observação na unidade local, sem providenciar sua imediata transferência para hospital de referência.”, destacou o documento.
De acordo com o inquérito, o CIATox esclareceu que o soro antiescorpiônico não está disponível em todas as unidades hospitalares, sendo concentrado em pontos estratégicos previamente definidos. No entanto, a limitação logística não autoriza a postergação do tratamento adequado.
“Pois o protocolo estabelece que, na ausência do soro na unidade de atendimento inicial, deve-se proceder à estabilização clínica do paciente e, de forma imediata, providenciar sua transferência para unidade de referência que disponha soroterapia”, apontou o documento.
De acordo com o inquérito, a documentação aponta que a vítima deu entrada no Hospital Madre Vanini às 20h08, enquanto o contato formal com a Central de Regulação de Ofertas de Serviços de Saúde (Cross) foi às 21h59, mais de duas horas após o acidente com escorpião.
“Além de não realizar a remoção imediata inicial e nem com a piora do quadro clínico através de acionamento do Samu para um ponto estratégico, foi feito contato com o Sistema Cross de maneira formal, somente às 21h59 ou seja, já após passadas mais de duas horas do acidente escorpiônico”, acrescentou.
G1
