MULHER MORTA POR PM EM SP ESPEROU 30 MINUTOS POR RESGATE MESMO COM BASE DOS BOMBEIROS A 6 MINUTOS

Baleada por uma PM durante abordagem na Zona Leste de São Paulo, Thawanna Salmázio esperou mais de 30 minutos por resgate, apesar de haver bases do Corpo de Bombeiros a poucos minutos do local do disparo feito pela soldado Yasmin Cursino Ferreira. A morte da mulher de 31 anos foi registrada pela câmera corporal usada por outro agente na madrugada de 3 de abril.

De acordo com a gravação, o disparo de Yasmin ocorreu às 2h59 na Rua Edimundo Audran; Cerca de 40 segundos depois, ainda durante a ocorrência, o PM Weden Silva, que dirigia a viatura, acionou o Centro de Operações da Polícia Militar (Copom) e pediu resgate. A ambulância dos Bombeiros chegou apenas às 3h29, a poucos segundos das 3h30. O tempo de resposta foi superior a meia hora — ao menos 10 minutos acima da meta de 20 minutos estabelecida pela própria corporação. Thawanna foi socorrida e levada ao hospital, mas não resistiu aos ferimentos.

A gravação mostra o momento em que o retrovisor da viatura da PM bate em Luciano Gonçalves dos Santos, marido de Thawanna, que caminhava ao lado dela pela Rua Edimundo Audran.

Como a calçada é estreita, com menos de um metro de largura, é comum os moradores usarem a via para se deslocar. Os agentes tinham ido ao local porque acompanhavam uma moto com suspeitos, que acabaram perdendo de vista.

O soldado Weden Silva, que dirigia o carro da PM e filmou toda a ação com a bodycam, freia e dá marcha a ré. Depois, ele grita e ofende o casal: “A rua é lugar para você tá andando, c*?”. Thawanna rebate: “Com todo respeito, vocês que bateram em nós”.

A soldado Yasmin, que estava no banco do carona da viatura, sai do veículo e parte na direção de Thawanna, que diz: “Você não aponta o dedo em mim, não”. Em seguida, é possível ouvir o barulho de um tiro nas imagens da câmera corporal.

Quando corre até Yasmin, Weden pergunta: “Você atirou nela?”. Yasmin responde, querendo justificar o disparo que fez na pedestre: “Ela deu um tapa na minha cara”.

As imagens da câmera corporal do soldado ainda mostram a demora na chegada do socorro a Thawanna. Yasmin não estava com a câmera corporal porque era novata e ainda não teria recebido senha para operar o equipamento.

G1

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