O governo paraguaio convocou o embaixador do Brasil em Assunção nesta quinta-feira (30) para entregar uma nota relacionada às declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre a Guerra da Tríplice Aliança — conflito que dizimou cerca de 70% da população do Paraguai.
Na última sexta-feira (24), Lula fez um discurso em Jacareí (SP) defendendo investimentos para a defesa nacional. Ele afirmou que o Brasil gosta de paz, mas que não poderia se esquecer da Guerra do Paraguai, no século 19.
“A gente gosta de paz, mas a gente não pode se esquecer que um belo dia o Paraguai resolveu invadir o Brasil. Invadiu Corumbá, ao mesmo tempo invadiu o Uruguai, invadiu a Argentina. E aquela guerra que parecia que era nada durou cinco anos”, afirmou.
O QUE FOI A GUERRA DO PARAGUAI ?
A Guerra do Paraguai, também conhecida como Guerra da Tríplice Aliança, foi o maior conflito armado da história da América do Sul. Travada entre 1864 e 1870, ela colocou o Paraguai contra a aliança formada por Brasil, Argentina e Uruguai.
O conflito começou em meio a disputas políticas na região do Rio da Prata. Em 1864, o governo brasileiro interveio militarmente no Uruguai durante uma guerra civil no país vizinho. O então ditador paraguaio, Francisco Solano López, considerou a ação uma ameaça ao equilíbrio regional e reagiu apreendendo um navio brasileiro e declarando guerra ao Brasil.
Meses depois, tropas paraguaias invadiram territórios que reividicavam que hoje fazem parte de Mato Grosso do Sul e avançaram também sobre áreas da Argentina. Em resposta, Brasil, Argentina e Uruguai assinaram, em maio de 1865, o Tratado da Tríplice Aliança, comprometendo-se a combater o Paraguai até a derrota de López.
A ESTIMATIVA DE MORTOS FOI DE:
Uruguai: 3120 mortos;
Argentina: 18 mil mortos;
Brasil: 50 mil mortos.
No caso do Paraguai, não há um concenso do saldo de mortos, no entanto, acredita-se que cerca de 150 mil paraguaios foram mortos no conflito — equivalente de 60% a 70% da população do país.
Na quarta-feira (29), a Câmara dos Deputados do Paraguai emitiu uma declaração oficial para repudiar a fala de Lula. Segundo o documento, as declarações do presidente “distorcem e minimizam” a dimensão histórica do conflito.
Em nota, o órgão afirma que o presidente “desconhece a complexidade dos antecedentes do conflito, o profundo sofrimento humano suportado pelo povo paraguaio” e as consequências geradas pela guerra.
G1
