O QUE SE SABE SOBRE VÍNCULO ENTRE ADOLESCENTE DE 14 ANOS MORTA E EX-PADRASTO QUE CONFESSOU O CRIME

O vínculo entre Alice Nitz, de 14 anos, e o ex-padrasto continuou próximo mesmo depois do fim do relacionamento dele com a mãe da adolescente, segundo a Polícia Civil. Ela foi morta a facadas na última segunda-feira (17), em Encantado, na Região dos Vales, na casa do suspeito.

Wagno Arezi Henika confessou o assassinato e foi preso preventivamente na noite de terça-feira (18). Em nota, a defesa de Wagno afirma que ele está colaborando com as investigações.

De acordo com a investigação, Wagno e a mãe da adolescente viveram juntos por 13 anos, ou seja, desde que Alice era bebê. Ele não tinha histórico de desavenças com a ex-companheira e mantinha uma relação considerada amigável, tanto com a mulher quanto com as filhas dela.

No entanto, em depoimento, Wagno afirmou que o crime teria sido motivado por um desentendimento entre ele e a adolescente. As circunstâncias do suposto conflito ainda são apuradas pela polícia.

“Se viam seguidamente. Eles moravam próximos, era no mesmo bairro, questão de três quadras mais ou menos de diferença, e não era incomum ela ir na casa dele. Ela ia, não digo todos os dias, mas eventualmente ela ia lá, mesmo após essa separação com a mãe dela”, explica a delegada Dieli Caumo, responsável pelo caso.

Segundo a delegada Dieli Caumo, Alice costumava visitar a casa do ex-padrasto mesmo após a separação dele da mãe, ocorrida cerca de um mês antes do crime. Como os dois moravam no mesmo bairro, a poucas quadras de distância, a presença da adolescente no imóvel era considerada algo habitual.

Adolescente era dançarina, declamava poesia e jogava futsal

Investigação por feminicídio

A Polícia Civil descartou que o assassinato tenha sido cometido para atingir a ex-companheira do suspeito. Após ouvir familiares, testemunhas e o próprio investigado, os policiais concluíram que não havia elementos que apontassem para uma tentativa de causar sofrimento à mãe da adolescente.

Por esse motivo, a hipótese de vicaricídio foi afastada. A investigação segue tratando o caso como feminicídio.

🔎 Vicaricídio: O crime, incluído no Código Penal em abril, tipifica a ação de matar alguém próximo a uma mulher com o objetivo de causar punição, sofrimento ou controle a ela.

“Com os depoimentos das testemunhas, irmãs, mãe, e do próprio suspeito, chegamos à conclusão que não havia um conflito entre a família. Não tinha medida protetiva, não tinha ocorrência, ela não relata nenhum tipo de violência ou ameaça. Inclusive, ele disse que não tinha nada em relação à ex-companheira. A morte não se deu para punir a ex-companheira”, afirma a delegada.

G1

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