Uma pesquisadora de doutorado da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) teve sua pesquisa suspensa pela universidade por emitir opiniões nas redes sociais sobre o tratamento de crianças transgênero.
Celina Lazzari cursa doutorado no Departamento de Serviço Social da UFSC, com um projeto de pesquisa intitulado “A escuta do assistente social na infância e questões de gênero”. Em março deste ano, a pesquisa foi suspensa pelo departamento, em cumprimento a uma determinação do Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos (CEPSH) da UFSC.
No entanto, ao determinar a suspensão temporária da pesquisa para apuração, o comitê se baseou em representação fundamentada em publicações de Lazzari nas redes sociais e em entrevista concedida por ela ao jornal Gazeta do Povo sobre crianças com disforia de gênero — e não em alguma irregularidade ética no projeto de pesquisa.
A pesquisadora é diretora da Matria, uma ONG de mulheres que se posiciona contra intervenções hormonais em crianças com disforia de gênero. A relação dela com a ONG também é citada na representação que levou à decisão do comitê da UFSC.
Além de determinar a suspensão da pesquisa, o comitê exigiu que Lazzari entregasse cópias de entrevistas, textos de opinião e publicações em redes sociais — materiais sem relação com o projeto de doutorado.
Em maio deste ano, Celina Lazzari obteve decisão liminar da Justiça Federal em Santa Catarina autorizando a continuidade de seu trabalho de doutorado. Pouco depois, a liminar foi confirmada por sentença.
“A ausência de apontamento de qualquer falha metodológica ou risco real aos participantes reforça a conclusão de que a suspensão não se fundou em irregularidade da pesquisa em si, mas em desconforto com as posições expressas pela pesquisadora em contextos externos ao ambiente acadêmico”, escreveu o juiz Diógenes Tarcísio Marcelino Teixeira na sentença.
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