POLICIAIS MILITARES DE ALTA PATENTE DE SP SÃO CITADOS EM OPERAÇÃO CONTRA OPERADORES DO PCC

A investigação conduzida nesta terça-feira (21) pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) joga luz sobre uma teia de relações entre investigados por crimes financeiros e oficiais de alta patente da Polícia Militar do estado de São Paulo.

Registros de áudio e planilhas financeiras apreendidas revelam não apenas a proximidade de suspeitos com oficiais da corporação, mas também o registro de repasses de valores em espécie.

➡️ A operação desta terça mira uma organização financeira clandestina que atuava como o braço logístico do crime organizado e atendia desde criminosos comuns até chefes do Primeiro Comando da Capital (PCC). Ao menos 13 pessoas já foram presas.

O MP vai remeter as informações que envolvem policiais militares para a Corregedoria da PM.

De acordo com os relatórios de Polícia Judiciária que compõem o inquérito policial, a relação entre figuras centrais da investigação — em especial o empresário Cléber Azevedo dos Santos e Robson Martins de Souza — e o alto escalão da PM era estreita e utilizada para assegurar trânsito, blindagem e apoios estratégicos.

Em mensagens analisadas pelos investigadores, os interlocutores discutem abertamente a influência e a facilidade de acesso a comandantes e diretores da Polícia Militar. Os PM citados não são alvos da operação desta terça nem foram denunciados ou acusados formalmente no caso.

Entre os oficiais citados nas gravações e nos documentos anexados à investigação, destacam-se:

o coronel PM Pereira Martins, apontado nos autos como diretor de ensino da corporação, com registros de tratativas diretas e aberturas de canais particulares solicitadas por Cléber Azevedo em setembro de 2023;

o coronel PM José Augusto Coutinho, identificado como o comandante da Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota) e do Comando de Policiamento de Choque durante o período analisado;

e o coronel “Patrício”, nome que figura de forma recorrente em planilhas de controle financeiro do grupo voltadas ao gerenciamento de despesas e vantagens indevidas.

O coronel José Augusto Coutinho foi comandante-geral da Polícia Militar paulista. Ele deixou o cargo em abril deste ano, após ser citado em um inquérito da Corregedoria que investigava a atuação de policiais na escolta de uma empresa de ônibus ligada ao PCC.

O g1 fez contatou a defesa do coronel José Augusto Coutinho, que, por meio de nota, disse que “até o momento, não obteve acesso aos autos do procedimento relacionado à operação deflagrada pelo GAECO na manhã de hoje”.

“Sem prejuízo da análise dos elementos da investigação, a defesa reafirma a integridade e a correção com que o Coronel Coutinho sempre exerceu suas funções e está certa de que, no curso do procedimento, será demonstrada a inexistência de qualquer envolvimento de sua parte nos fatos investigados”, afirmou.

G1

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