Presa pela segunda vez nesta quinta-feira (21) em São Paulo, a advogada Deolane Bezerra é uma influenciadora digital e empresária que ganhou notoriedade nacional após a morte do marido, o funkeiro MC Kevin, em 2021.
Desta vez, ela foi presa em uma operação que investiga um esquema de lavagem envolvendo uma transportadora de cargas com sede em Presidente Venceslau (SP), controlada pela cúpula do Primeiro Comando da Capital (PCC), considerada a maior facção do país.
A advogada tem atualmente cerca de 21,7 milhões de seguidores no Instagram, segundo plataformas de monitoramento de redes sociais. Ela ganhou notoriedade após começar a postar fotos de carros de luxo e das mansões onde morou ou mora atualmente, na região de Alphaville, em Barueri, cidade da Grande SP.
A rotina de luxo chamou a atenção das autoridades e, em setembro de 2024, ela foi presa pela primeira vez, durante a Operação Integration, conduzida pela Polícia Civil de Pernambuco, que investigava um suposto esquema de lavagem de dinheiro e jogos ilegais ligados a bets e casas de apostas.
De acordo com as investigações da Polícia Civil de Pernambuco, Deolane investiu R$ 65 milhões em 12 imóveis de luxo nos últimos três anos.
Nas redes sociais, ela mesma fazia questão de ostentar fotos, em detalhes, de cada um dos endereços, viagens a lugares como Dubai e Roma, além de viagens de jatinho e helicóptero.
A influencer ficou presa por cinco dias no Recife e depois conseguiu habeas corpus, passando a responder em liberdade com medidas cautelares, como uso de tornozeleira eletrônica.
Entre 2018 e 2021, Deolane recebeu em sua conta física R$ 1.067.505,00 em depósitos fracionados abaixo de R$ 10 mil, técnica conhecida como smurfing). Segundo a polícia, o intermediador era Everton de Souza (vulgo “Player”), que indicava a conta de Deolane para “fechamentos” mensais.
Outro fato que aparece na investigação são os quase 50 depósitos feitos a duas empresas de Deolane Bezerra, no valor total de R$ 716 mil, por uma empresa que se apresenta como banco de crédito e que tem como responsável um homem moradora da Bahia que recebe em torno de um salário mínimo ao mês.
A análise das contas a débito, tanto de Deolane quanto da empresa dela, mostram que não foram identificado nenhum pagamento relacionado a esses tais créditos, o que é apontado pela investigação como um indício de ocultação e/ou dissimulação de recursos do PCC.
Também não foram identificadas prestações de serviço como advogada que justificassem os valores repassados para as contas da influenciadora e de suas empresas. A Justiça determinou o bloqueio de R$ 27 milhões em nome de Deolane Bezerra. O valor diz respeito ao que ela não comprovou a origem – com indicativos de lavagem de dinheiro.
G1
