ANTES DA PRISÃO, MÃE DE BEBÊ COM SINAIS DE VIOLÊNCIA E ABUSO DEFENDEU MARIDO. “COLOCO A MÃO NO FOGO”

Um bebê de 1 ano e 8 meses morreu nesta quinta-feira (30), em Campo Grande, após ter sido internado com sinais graves de agressão e indícios de violência sexual.

Motorista de aplicativo e policiais socorreram bebê

Segundo o boletim de ocorrência da Polícia Militar (PM), a mãe foi avisada pelo marido, enquanto ainda estava no trabalho, que o bebê não estava respirando.

A Polícia Militar foi acionada por uma motorista de aplicativo. Ela contou que a passageira ficou em choque após receber uma ligação informando que o filho não estava respirando.

No local, os policiais encontraram o padrasto com o bebê nos braços, já sem reação, e iniciaram manobras de reanimação. Em seguida, uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) chegou e conseguiu reanimar a criança. O bebê foi levado para a Santa Casa de Campo Grande.

Durante o trajeto até o hospital, o médico do Samu identificou vários hematomas no corpo da criança e sinais de possível abuso sexual. Um laudo médico confirmou depois hematomas na região íntima, além de marcas em diferentes estágios nas costas e nas pernas do bebê.

Durante o atendimento, a conselheira disse que a mãe afirmou que a criança caiu e bateu a cabeça na parte da frente. Sobre as outras lesões, a mulher disse que não sabia explicar. Ela também negou que o marido tenha agredido o bebê.

“Olha, meu marido não fez nada com a criança, eu posso garantir, eu coloco a mão no fogo por ele que isso não aconteceu”, disse ela, ainda no hospital com o filho.

A mãe e o padrasto continuam presos e são investigados por maus-tratos, estupro de vulnerável, lesão corporal e omissão de socorro.

Criança ficava sob cuidados do padrasto

A mãe afirmou que trabalha e que, durante esse período, o bebê ficava sob os cuidados do padrasto. Segundo ela, o casal organizava os horários para que sempre houvesse um adulto com a criança.

Falhas no acompanhamento de saúde

Em diligências posteriores, o Conselho Tutelar constatou que a criança não tinha acompanhamento regular de saúde. A vacinação pendente só foi atualizada em janeiro de 2026, quando o bebê foi inscrito no projeto. Segundo a apuração, não havia registros frequentes de consultas médicas, o que aumentou a preocupação da equipe.

O conselho também explica que os vizinhos tinham conhecimento da violência que a criança sofria, mas não denunciaram. “Essa criança realmente sofria maus-tratos, mas eu não denunciei porque não tinha provas”, disse o vizinho à polícia.

G1

Veja também: