VÍCIO EM BETS: AUDITORA VIRALIZA AO CONTAR HISTÓRIA DO IRMÃO QUE MORREU APÓS ADQUIRIR DÍVIDA MILIONÁRIA COM APOSTA ONLINE

“Só descobri que meu irmão estava viciado em apostas quando ele morreu”, lamentou a advogada e auditora do Tribunal de Contas do Estado da Bahia (TCE-BA), Juliana Prates. Ela perdeu o irmão, o também auditor fiscal do órgão, Otacílio Prates, em dezembro do ano passado, e desde então tem se dedicado ao ativismo contra as apostas online, conhecidas como “bets”.

Otacílio começou a apostar em 2023 e, ao longo de quase dois anos, adquiriu uma dívida de aproximadamente R$ 1,5 milhão.

Segundo Juliana, o irmão chegou a ser internado por questões psicológicas após apresentar um surto, mas em nenhum momento contou sobre o vício em apostas online. Após a internação, ele tirou a própria vida.

“Na carta que deixou, ele dizia que havia perdido o sentido da vida, que havia perdido todo o dinheiro. Ele deixou todas as senhas e quando abri o celular, vi várias contas de bets abertas. Só naquele dia, ele tinha apostado R$ 109 mil”, contou.

O psicólogo Erich Rapold, especialista em Terapia Comportamental Clínica, explica que, por ser uma atividade legalizada, o vício nas apostas tem um estigma diferente do vício em drogas, por exemplo.

Além disso, a ludopatia é silenciosa e invisível: o dependente pode simplesmente apostar no sofá de casa, enquanto assiste televisão com a família, sem que ninguém perceba. Apesar disso, alguns sinais podem ser observados por familiares e amigos, como por exemplo:

uso exagerado do celular, inclusive durante a madrugada; irritação ao ter o uso interrompido; notificações frequentes de aplicativos de apostas; grande oscilação de humor entre felicidade e irritação – normalmente associado a ganhos e perdas; isolamento; pedidos de ajuda financeira com explicações vagas.

Outra característica apontada pelo psicólogo é a “perseguição do prejuízo”, que é seguir apostando depois de perder muito dinheiro, porque vencer significaria quitar a dívida.

Uma das formas dos jogadores auto avaliarem se as apostas se tornaram um problema, é fazer as seguintes perguntas para si mesmo:

você aposta valores cada vez mais altos para sentir a mesma emoção que sentia quando começou a apostar? Você fica irritado, ansioso ou inquieto quando tenta parar? Você aposta para fugir de problemas ou aliviar a ansiedade? Depois de perder, você volta a apostar tentando recuperar o prejuízo? Você já mentiu sobre quanto ganhou ou perdeu? Você já comprometeu dinheiro que tinha outra finalidade para apostar? A aposta já prejudicou o trabalhou e/ou os estudos?

De acordo com o psicólogo, quando o jogador se encaixa em quatro dessas situações ou mais, no período de um ano, é considerado transtorno. Nessas situações, o ideal é buscar tratamento, que é feito de forma multidisciplinar, com psicólogo, psiquiatra e, muitas vezes, grupos de apoio.

G1

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