Planejar a educação de uma cidade não é tarefa que se faz em gabinete. Ela se constrói com dados, com escuta e, sobretudo, com a participação de quem vive e trabalha dentro das escolas todos os dias. Com esse espírito, a Prefeitura Municipal de Brasilândia, por meio da Secretaria Municipal de Educação e Cultura e com a parceria do Conselho Municipal de Educação, realizou na noite desta segunda-feira (18), no Anfiteatro Ramez Tebet, a Audiência Pública para a apresentação da revisão do Plano Municipal de Educação — o PME. O momento reuniu autoridades, professores, representantes da sociedade civil e membros do poder legislativo em torno de uma pergunta que não tem resposta fácil: como está, de fato, a educação em Brasilândia?
A abertura do evento contou com a presença da prefeita Márcia Amaral, dos vereadores Dr. Alexandre Rodrigues Carlos e José Quintino de Souza, da secretária municipal de Educação e Cultura, professora Maria Inês Anselmo Costa, e da adjunta Maristela Leôncio Castilho da Silva. Também estiveram presentes o presidente do Conselho Municipal de Educação, professor Adriano Gerstenberger, e a presidente do Sindicato Municipal dos Trabalhadores em Educação — o Simted —, Maria Aparecida da Silva. A apresentação dos resultados ficou a cargo da professora Alesandra Aparecida de Melo Ribeiro, secretária executiva da Comissão Municipal de Monitoramento e Avaliação do PME, que conduziu a plateia pelos dados levantados entre janeiro de 2024 e dezembro de 2025.
O QUE É O PLANO MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO
O Plano Municipal de Educação de Brasilândia foi instituído pela Lei Municipal nº 2.585/2015 e atualizado pela Lei Municipal nº 3.195/2025. Ele é o principal instrumento de planejamento educacional do município — um documento que estabelece 20 metas, 313 estratégias e 48 indicadores de acompanhamento, alinhados ao Plano Nacional de Educação e ao Plano Estadual de Educação de Mato Grosso do Sul. O PME orienta desde a oferta de vagas na educação infantil até a valorização dos professores, passando pela qualidade do ensino, pela inclusão de alunos com deficiência e pela gestão democrática das escolas. Em Mato Grosso do Sul, os municípios optaram por realizar a avaliação dos planos a cada dois anos — e a audiência desta segunda-feira marcou mais uma etapa desse ciclo obrigatório de monitoramento.
O QUE OS NÚMEROS REVELAM
O relatório apresentado pela professora Alesandra trouxe um panorama honesto: do total de indicadores monitorados, 54,17% dos objetivos do Plano estão sendo cumpridos, total ou parcialmente. Entre os destaques positivos, a Meta 2 — que prevê a universalização do Ensino Fundamental de nove anos para a população de 6 a 14 anos — foi plenamente atingida, com 100% de atendimento registrado na rede municipal em 2025. A Meta 15, voltada à formação de professores com licenciatura na área de conhecimento em que atuam, também chegou a 100% na rede municipal — um resultado que representa anos de investimento em qualificação do quadro docente. Igualmente celebrada foi a Meta 17, sobre valorização salarial do magistério: o salário médio dos professores municipais alcançou 107,9% em relação aos demais profissionais com escolaridade equivalente, superando a própria meta estabelecida pelo Plano. Na Meta 16, voltada à formação continuada, 96,5% dos professores da rede municipal realizaram cursos de aperfeiçoamento — resultado próximo ao teto da meta.
Na educação infantil, a cobertura para crianças de 4 e 5 anos atingiu 87,25% em 2025 na rede municipal, classificada como cumprimento parcial. A oferta em creches para crianças de 0 a 3 anos avançou para 41,25%, ainda distante da meta de 60%, mas com trajetória crescente desde 2019. Na Meta 6, sobre educação em tempo integral, o município registrou salto expressivo: 43,45% dos alunos da rede estadual e 18% da rede municipal passaram a frequentar jornada ampliada em 2025, evolução considerável em relação aos índices quase nulos registrados em 2019 e 2021
