MENINA DE 12 ANOS DEMOROU A CONTAR À FAMÍLIA SOBRE ESTUPRO COLETIVO POR MEDO E VERGONHA

A menina de 12 anos que denunciou ter sido vítima de um estupro coletivo voltou para casa após ser violentada, mas, por medo e vergonha, não contou à família o que tinha acontecido.

“Ela chegou roxa em casa. Ela chegou falando que tava com cólica, botou até compressa de água quente na barriga, então, a mãe não desconfiou, e como ela sempre foi muito quieta, sempre foi de falar pouco, né, a gente não maldou”.

“Depois de muito a mãe dela insistir, ela falou que ela foi encontrar um namoradinho, que já tinha marcado com ele. E aí, chegando lá, não era só ele, e depois ainda chegou mais meninos. Eles se conheciam, são todos amigos”, acrescentou.

Segundo a polícia, a vítima, se relacionava com um outro adolescente. Ele a chamou para ir a casa dele em Campo Grande, mas ao chegar lá, ela foi surpreendida por outros sete jovens. Todo o crime foi gravado por eles.

“Pelas imagens do vídeo dá pra ver ela recebe tapa na cara, na lombar, ela fica machucada. O que choca muito é que a menina tem 12 anos, e os envolvidos têm entre 12 e 16”, fala a delegada Fernanda Caterine, da Deam.

“Então, choca muito tanto a tenra idade dessa menina quanto também dos envolvidos, como esse ato é praticado e as consequências pra vida dessa menina.” Nas imagens, desfocadas por envolver menores de idade, é possível ver que os adolescentes comemorando o abuso.

Segundo a polícia, o vídeo do crime começou a ser compartilhado e vendido nas redes sociais. As imagens chegaram à mãe da vítima, que procurou a delegacia essa semana.

“Ela não contou, né? Um dos responsáveis de algum aluno da escola levou diretamente pra mãe dela e aí foi quando a mãe dela ficou sabendo e foi perguntar a ela”, disse a irmã.

“É verdade, um deles estava vendendo por R$ 5. Quer dizer, a imagem dessa menina, exposição da intimidade dessa menina valia R$ 5”, destacou a delegada. “Eu sou uma mulher já grande, formada, tenho a minha vida. Então, a gente imagina acontecer com a gente que anda na rua, pega ônibus, condução, não com uma menina de 12 anos, ainda mais com outros adolescentes, com outras crianças. É surreal”, falou a irmã.

Seis menores apreendidos

Os agentes da Deam identificaram os oito menores envolvidos no crime. A Justiça determinou a apreensão e a internação provisória de todos. Seis já foram apreendidos. A polícia ainda procura os outros dois.

“Nós prosseguimos com diligências físicas tentando apreendes outros dois faltantes, e também diligências eletrônicas. Então, quem de alguma maneira armazenou, divulgou, ainda que não que sejam os envolvidos, eles vão também sofrer uma reprimenda penal”, falou a delegada. A Justiça também determinou a apreensão de computadores e celulares dos jovens.

“A Justiça tá fazendo a parte dela, foi muito rápida. A Deam tá sempre do lado das mulheres e nos ajudando. Será que realmente eles vão ser reeducados? Será que dá pra reeducar alguém?”, questionou a irmã.

G1

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