OBRA MILIONÁRIA E DINHEIRO VIVO: PF DETALHA COMO ESPOSA DE DESEMBARGADOR QUE SOLTOU CHEFE DO PCC PAGOU POR MANSÃO

A esposa do desembargador Divoncir Schreiner Maran, Viviane Alves Gomes de Paula, é citada em relatório do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) que investiga a atuação do magistrado na decisão que resultou na liberdade do megatraficante Gerson Palermo, em 2020. Conforme o documento, Viviane realizava pagamentos de alto valor em dinheiro vivo, o que levantou suspeitas de autoridades.

Conforme a Polícia Federal, em 2020 Divoncir e Viviane compraram um terreno em um condomínio de alto padrão em Campo Grande, onde construíram uma casa. Segundo o inquérito, a obra custou mais de R$ 2,1 milhões. Os pagamentos aos fornecedores da obra eram feitos pela esposa, com dinheiro em espécie, como revelam conversas interceptadas pelos investigadores.

Em conversa com o arquiteto responsável pelo projeto ela afirma: “Pra mim fica melhor eu te dar dinheiro todo mês.

O casal também contratou móveis planejados para o imóvel, em um serviço orçado em R$ 650 mil. Em mensagens, Viviane pede para marcar um encontro com o fornecedor. “Precisamos marcar para eu acertar com você. Você vem até mim? Estou aqui no TRE. Me avise quando chegar na frente”.

Para os investigadores, há indícios de que pagamentos foram feitos diretamente em dinheiro, inclusive dentro de veículos, para evitar registros formais.

Em outro diálogo, ao negociar a compra de ferragens no valor de R$ 40 mil, Viviane pede: “Veja pra mim quanto dá pra fazer no dinheiro”. O vendedor estranha a proposta e questiona se o pagamento seria em espécie. Após a confirmação, ele responde: “É doido!” E orienta que o valor deveria ser pago por meios como cartão, PIX ou boleto, já que a empresa não aceita dinheiro vivo.

O desembargador Divoncir Schreiner Maran, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS), foi punido com aposentadoria compulsória pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) no dia 10 de fevereiro deste ano.

A punição foi aplicada porque o magistrado concedeu prisão domiciliar, em 2020, a Gerson Palermo, condenado a 126 anos por tráfico de drogas.

Palermo estava no presídio de segurança máxima de Mato Grosso do Sul. Após conseguir prisão domiciliar por decisão liminar, rompeu a tornozeleira eletrônica e fugiu. Ele segue na lista de procurados do Sistema Único de Segurança Pública.

G1

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